Equipe do Rio de Janeiro (com a Julia)

Esta é a equipe de missionários no Rio de Janeiro. Saiba mais sobre o movimento do Rio clicando neste texto.

Projeto Viçosa 2014!

Leia o post sobre o projeto!

Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos. (Efésios 2.10)

Equipe de missionários Alfa e Ômega Nacional

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domingo, 16 de janeiro de 2011

O que realmente pode ser feito?

Pedestre caminha sobre a lama endurecida. Fonte: Yahoo Notícias

















Muito tem se falado da negligência do poder público em relação a tragédias como as que aconteceram nos últimos dias. Mas, exatamente o que se poderia ter feito para minimizar os dados  causados pelas chuvas?
Naturalmente não pretendo apresentar aqui todas as soluções. Mas como urbanista e cidadão friburguense, gostaria de apontar algumas medidas úteis:

Fiscalização
Fala-se muito em planejamento. Mas cidades como Nova Friburgo já contam com um Plano Diretor e leis de uso e ocupação do solo.  Podem estar desatualizados, mas se, mesmo do jeito que estão, fossem cumpridos, vidas seriam poupadas.
Bairro de Olaria. No alto, no morro,
a igreja de São Roque.
Tenho observado construções em margens de rios, em áreas de proteção ambiental ou fora de especificações, sem que se haja nenhuma ação inibidora. Um exemplo é a Igreja de São Roque, no bairro de Olaria, cuja construção recente foi feita muito acima do gabarito permitido para a região. Cito este caso porque parte de uma instituição que deveria dar o exemplo.
Certamente a justificativa da Prefeitura é a falta de fiscais. Sempre é essa a justificativa. Mas será que uma fiscalização dura e intransigente, mesmo com o número atual de fiscais, não inibiria as construções irregulares? Talvez seja o caso de se dizer que falta planejamento para uma fiscalização eficaz.

Educação ambiental
Populações em áreas de risco (ou não) precisaria saber, por exemplo: dos riscos, de uma infiltração no solo, do acumulo de lixo, do desmatamento em cume de morro, de um corte em talude, de uma construção em talvegue (caminho de águas), etc. Também ter conhecimento de espécies que podem ou não ser plantadas (ao contrário do pensamento popular, nem toda vegetação ajuda a conter encosta – algumas têm, inclusive, efeito contrário). Entre outras coisas.
Em minha experiência no NEPHU – Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos, da UFF – trabalhamos junto associações de moradores de favelas de Niterói para a criação de um material educativo sobre estas questões. Como era um trabalho feito em parceria, o material ficou acessível e fácil de entender. Os próprios moradores ajudavam na fiscalização da comunidade.

Assistência profissional
Se alguém precisa de médico e não tem dinheiro para pagar, recorre ao SUS. Se precisa de um advogado, recorre à Defensoria Pública. Mas se precisa de um profissional de construção civil, não existe um órgão para assistí-lo. Pelo contrário: as prefeituras exigem projetos assinados por engenheiros ou arquitetos para legalização de uma construção, mas não provê os meios para aqueles que não têm condições de contratar um profissional da área.
Um órgão público de planejamento habitacional diminuiria o número de construções inadequadas, garantiria mais orientação à população sobre cuidados nas construções, facilitaria o trabalho das prefeituras, pois diminuiria o numero de construções ilegais. Além disso, daria emprego e estágio para profissionais e estudantes de do setor.
Parcerias com as universidades
Soluções para os grantes problemas urbanísticos de nossas cidades poderiam ser obtidas com parcerias com as instituições de nível superior nas áreas de urbanismo, arquitetura, engenharia, ciências socias, geologia, geografia, entre outras. O NEPHU (mencionado acima) é um bom exemplo de um núcleo formado por professores com doutorado e experiência em diferentes áreas, que desenvolvem estudos muito interessantes para quem busca soluções para os problemas nas nossas cidades.
A universidade é uma geradora de conhecimento e soluções. A pergunta é: porque cidades como o Rio de Janeiro não aproveitam melhor este recurso? É pura incompetência, falta de vontade, ou existem interesses pessoais, políticos ou partidários no caminho das soluções? Ou uma mistura de tudo isso?

Investimento urbanístico e habitacional
Investimentos em infraestrutura, remanejamentos de casas em locais de risco, construção de centros comunitários (que podem servir, inclusive, como áreas de refúgio em situações de calamidade), preservação e recuperação de áreas de mata e leitos de rios, entre outras medidas, não são chamadas  de “investimentos” por acaso.
É só pensar no que se perdeu nestes dias: casas, prédios, ruas, pontes, praças , hotéis, hospitais, pontos turísticos, empresas, mercadorias, bens e, o bem mais valioso e irrecuperável: vidas. Pensemos ainda no prejuízo psicológico da população e de todo o custo e energia gastos para a reconstrução da cidade e para a recuperação de seus habitantes. As perdas são incalculáveis.
Mas isso é “chovem no melhado”. As autoridades estão cansadas de saber isso. Volta a pergunta: por que o descaso?

Sistemas de monitoramento e alerta
Esta semana eu assisti, na TV, dois casos dignos de nota: o primeiro, o de um jovem brasileiro que vive na Austrália, que recebeu, em sua caixa de correio, um alerta de iminente inundação no dia seguinte, com orientações sobre o que fazer. Isso pode ainda parecer um sonho distante, mas mostra, por contraste, o quão pouco estamos preparados para lidarmos com os nossos próprios problemas.
O segundo caso se deu em Areal, pequena cidade da Região Serrana, que também foi inundada, mas não teve nenhuma vítima fatal. O motivo: horas antes da chuva, um carro de som, com uma gravação feita pela prefeitura, alertou a população para o transbordamento do rio e orientou sobre o que fazer.

Treinamento da população
E é exatamente este um dos maiores problemas durante uma catastrofe: milhares de pessoas – incluindo autoridades – sem saber o que fazer. Nos países que sofrem com terremotos, furacões e inundações, treinamentos sobre o que fazer se o pior acontecer faz parte da vida das pessoas: está nos currículos escolares, nas agendas das empresas, é ensidado em casa, de pai para filho,  promovido por meio de campanhas públicas. Existem leis que regulamentam e incentivam tais medidas. A Índia é um exemplo de país em desenvolvimento que adota ações preventivas de orientação populacional.
Em momentos de calamidade, as pessoas precisam, no mínimo, reconhecer um sinal de alerta, saber o que fazer, o que não fazer, para onde ir, a quem recorrer, bem como os oficiais e autoridades  precisam estar igualmente treinados, e também equipados, para controlar o pânico e orientar a população. 

Conclusão
A ONU declarou que para U$1 gasto com prevenção se economiza outros U$7 com resgates e reconstruições1. Com a magnitude das águas que atingiram a região serrana nestes dias, por mais preparadas que as cidades estivessem, o estrago seria certo. Mas falta de planejamento urbano, habitacional e educacional certamente fez a chuva matar muito mais.



Sugestões de links sobre o assunto:
Blog da urbanista Raquel Rolnik: http://raquelrolnik.wordpress.com/
Veja também esta entrevista com a urbanista: http://migre.me/3FXzs
Artigo "Não à naturalização do descaso", de Marina Silva

sábado, 15 de janeiro de 2011

Nova Friburgo

Queremos continuar nossa "cobertura improvisada" do que está acontecendo na Serra, de acordo com nossas possibilidades.Nosso desejo é contribuir com nossa visão como friburguenses que somos e que conhecem bem as áreas devastadas.

Para começar, compartilhamos esse site, com belas fotos da cidade antes da tragédia: http://extra.globo.com/incoming/855513-c66-040/w640h360/2011011243992.jpg


ATUALIZAÇÃO (16/01)
Olhar de fora
Veja este impressionante depoimento de uma reporte portuguesa em Friburgo: http://jornal.publico.pt/noticia/16-01-2011/nova-friburgo-catastrofe-agora-21032673.htm#comente

Música do coração
"Me ajude a salvar a montanha que chora", do Friburguense Benito de Paula: http://transparencianf.blogspot.com/2011/01/me-ajude-salvar-montanha-que-chora.html?spref=tw




ONU: falta de planejamento faz chuva matar mais no Brasil.
"para cada US$ 1 investido em prevenção, é possível economizar pelo menos US$ 7 em resgates e reconstrução". Leia a matéria completa:

Abrigo
Nossa igreja, a Comunidade Cristã de Nova Friburgo, está acolhendo desabrigados em seu prédio. Outros locais de abrigo, aqui.

Aliás
O apoio das igrejas evangélicas tem sido digno de nota. Em Teresópolis, uma Igreja de Nova Vida cedeu seu templo para servir como uma extensão do IML loca. A Junta de Missões Nacionais da Conveção Batista está convocando voluntários para ajuda espiritual e humanitária na região. Diversas igrejas estão servindo como pontos de coleta.
Fiquei feliz, ao saber, ontem, que os pastores de nossa igreja estão trabalhando ativamente junto à Defesa Civil e na ajuda de preparação de alimentos para desabrigados. É sempre bom quando o exemplo vem "de cima".

Imagem familiar
Na foto abaixo, uma localidade a poucos metros de onde vivem os pais da Priscila. Conhecemos bem as ruas soterradas. Era um local bucólico, de belas casas, onde NUNCA alguém poderia dizer que algo do tipo poderia acontecer. Na semana passada, eu estava na varanda dos meus sogros, admirando justamente essas casas e pensando "que lugar bom de morar!". Essas casas agora não existem mais.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Apelo à Terra

Como flauta o coração de DEUS
Convoca a Terra a reviver:
Ó Terra, Terra!

A Paz que é tua desprezas
A troco de guerras,
Rejeitas o amor infinito
Cultivando ódio.

Sufocas anseios de eterno,
Trocas vida por comida
Vendes corpo - alma de homens,

Escravos do erro, do medo, da vida e da morte!
O pulsar do coração do DEUS, clama:
Quem deseja ser criança, vem!

Entra e repousa neste caminho de vida!
Renascer, viver criança,
Rescende cheiro de vida para vida!

Nilda Fontes 
(Baseado em Ap.18 e Jer.48:36)

Sobre a tragédia em Friburgo

Nestes dias estamos atualizando informações sobre a Região Serrana, especialmente Friburgo, onde moram nossos pais, irmãos e igreja.
Além dessas notícias, colocaremos as atualizações que receberemos dos projetos missionários de verão.

Carro "estacionado" em cima de uma casa em Duas Pedras, bairro de Friburgo. Fonte: G1
- URGENTE: Batalhão da Polícia Militar de Nova Friburgo solicita doações de velas e gás de cozinha para as vítimas da Região Serrana

- A Cruz Vermelha recebe donativos em vários estados do Brasil: . Procure o endereço mais próximo e ajude!

- A expressão "" (ore pelo Brasil), por conta das enchentes, entra para o TT - expressões mais usadas pelo Twitter.

- Vejam este infográfico, com imagens de antes e depois de várias partes da cidade: http://migre.me/3DTw4. Para nós que conhecemos a cidade, lembramos de muito mais locais, que antes eram lindos e agora são um monte de lama.

- A ONU já posiciona esta tragédia como uma das 10 piores dos últimos 100 anos (Fonte: JH).

- Lumiar e São Pedro estão isolados. Da mesma forma, a cidade Bom Jardim.

- O número de mortos na região serrana já ultrapassa 540, em 7 cidades. Em Friburgo, já ultrapassou 240.

- Continua o alerta de chuva forte para hoje.

- Acabamos de saber que o Projeto Piracicaba 2011 está trabalhando com a prefeitura daquela cidade para o recolhimento de donativos para a Região Serra.

- Um comboio de caminhões e máquinas passou, agora a pouco, pela ponte Rio-Niterói em direção a Nova Friburgo.

- A Junta de Missões está convocando pastores e conselheiros para ajudar no trabalho de apoio espiritual das vítimas: http://www.jmn.org.br/noticias.asp?codNoticia=1921&codCanal=30

- No dia 20/01 o Congresso Nacional vai discutir medidas para evitar tragédias das chuvas: http://www.minhamarina.org.br/blog/

- Falta comina nos mercados de Friburgo: 1k de sal: R$10,00. Um galão de água de 20lt: R$40,00. Um absurdo! A água também está racionada.

- Site com informações úteis, como locais de abrigo, lista de abrigados, lista de óbitos, conta para ajuda, etc: http://secompmnf.blogspot.com/

Piracicaba & Friburgo

Acabei de receber a notícia que muito me alegrou, de que o Projeto Piracicaba 2011 está trabalhando com a prefeitura daquela cidade para o recolhimento de donativos para a Região Serra.
Essa é a primeira notícia que eu recebo ligando os dois principais focos do blog neste momento: os projetos missionários do Alfa e Omega e a tragédia na Serra.
Fico feliz que estas duas coisas (uma boa e outra ruim) estejam ajudando a desenvolver a visão social de nossos estudantes. Só Deus sabe a importância que isso pode representar no futuro.